A fadiga e os procedimentos de recuperação do jogador

A fadiga e os procedimentos de recuperação do jogador.

 

Fadiga pode ser dividida de acordo com os estressores que a provocam
A busca intermitente do rendimento competitivo e o excesso de jogos têm modificado as pautas de regulação do treinamento desportivo do jogador de futebol nos últimos anos, provocando um aumento sistemático do volume e da intensidade de cargas de trabalho e uma redução das fases de descanso e recuperação.
 
Os fatores que limitam o esforço e perturbam o funcionamento dos centros nervosos são primeiramente o aumento de lactato e o desequilíbrio energético. Independentemente da conseqüência dos esforços, os atletas estão imersos em um meio ambiente constituído por uma diversidade de estressores negativos, que abrangem tanto o esgotamento físico quanto o mental.
 
Os estressores provocam um excessivo desgaste do sistema nervoso central (SNC) e passam a exercer influência direta sobre o conjunto orgânico e fisiológico do jogador, podendo acarretar em um acentuado declínio do rendimento técnico. A falta de qualidade nos procedimentos de recuperação, acrescida da redução de tempo, pode levá-los a um processo acumulativo de fadiga.
 
A fadiga é diferenciada segundo o tipo de estressores. Sua natureza é complexa e se apresenta como resultado da ação recíproca de fatores hormonais, periféricos e do sistema nervoso central. Suas sensações são variadas, podendo ter significado protetor, transitório e reversível, com origem no hipotálamo e na zona sensitiva do tálamo. Ela pode ser classificada de duas formas: fadiga central ou periférica.
 
A fadiga de origem central inclui o esgotamento de substâncias neurotransmissoras (acetilcolina) que participam nas respostas motoras, enquanto a fadiga periférica está mais relacionada à musculatura esquelética periférica.
 
Para manter o equilíbrio e evitar o declínio gradual da capacidade de rendimento, são necessários a intensificação do metabolismo protéico (sínteses de proteínas estruturais e enzimáticas destruídas durante os treinos), a restauração do equilíbrio hormonal e iônico e o restabelecimento das reservas energéticas.
 
Para tanto, é essencial qualificar os procedimentos regenerativos, que são tão importantes quanto as cargas de trabalho. A recuperação é um conteúdo essencial nos programas de treinamentos e deve estar inserida em todas as unidades e ciclos do planejamento, pois abrange descanso, alimentação e suplementação das necessidades nutricionais, além de procedimentos fisioterápicos (massagens, banhos, duchas, eletroestimulação) e exercícios especiais na fase final das unidades de treinamento.
 
A regeneração tem como finalidade principal o restabelecimento do equilíbrio orgânico por meio da aceleração da recuperação e eliminação da fadiga, para evitar a síndrome de supertreinamento.

Bibliografia
 
CARRAVETTA, Elio. O jogador de futebol – técnicas, treinamento e rendimento. Editora Mercado Aberto, 2001.