Evolução do treinamento desportivo através da história ( novo )

UMA ÓTICA EVOLUTIVA DO TREINAMENTO DESPORTIVO ATRAVÉS DA HISTÓRIA
 
Helio Franklin Rodrigues de Almeida
Ms. em Fisiologia do Exercício – Profº. da Universidade Federal de Rondônia – UNIR
Dulcenira Coutinho Magalhães de Almeida
Esp. em Saúde Pública – Estagiária do Laboratório de Fisiologia do Exercício da UNIR
Antonio Carlos Gomes
Dr. em Treinamento Desportivo – Profº da Universidade Estadual de Londrina – UEL


RESUMO
O objetivo deste estudo é propor um novo escalonamento da evolução do treinamento desportivo através da história, correlacionando tal evolução com o contexto político e ideológico  que o jogos olímpicos sempre evidenciaram, com o início do desenvolvimento das bases de uma ciência do desporto, iniciadas a partir da segunda metade deste século, analisando também os contributos empíricos das civilizações antigas, que culminaram no rigor científico e tecnológico da atualidade, subsidiado evidentemente por uma estratégia altamente eficiente geradora de recursos financeiros: o mercantilismo desportivo.
Palavras chave:  jogos olímpicos, civilizações antigas e mercantilismo.

ABSTRACT
The objective of this study is to propose a new echelonation of the sportive trainning evolution thru the history, correlationship such evolution with the political and ideological context in wich the olimpic games always show up, and with the beginning of the bases development of a sporting science, initialized in the second half of this century, also analysing the empirics contributes of the ancient civilizations, wich culminated in a scientific and technological rigour of the actuality, subsidieted obvious for a higher efficient strategy generated by finatial funds: the sportive marketing.

Key words: olimpics games, ancient civilizations and marketing.

1 – INTRODUÇÃO
Quando consultada a literatura específica, verifica-se que  as referências abordando a evolução histórica do treinamento desportivo, estão sempre relacionadas aos Jogos Olímpicos. Tal relação se ampara no fato de serem estes jogos, por excelência, a vitrine onde os sucessos ou fracassos, de cada método ou filosofia de treinamento são expostos ao mundo, chegando ao conhecimento público (PEREIRA DA COSTA,1972; FERNANDES, 1979; TUBINO, 1985; DANTAS, 1995).
Na literatura nacional, PEREIRA DA COSTA (1972), estabeleceu um escalonamento inicial, dividindo em períodos  a evolução histórica do treinamento, o qual foi modificado inicialmente  por FERNANDES (1979), sendo corroborado por TUBINO (1985), e posteriormente DANTAS (1995) sugeriu um novo escalonamento, sendo este último mais evidenciado na comunidade científica.
Ao nosso entender trata-se de uma maneira incompleta de analisar o tema. É necessário considerar que antes dos jogos olímpicos serem instituídos na antiga Grécia como manifestação desportiva, já haviam surgido práticas empíricas diversificadas em relação as múltiplas atitudes buscando um melhor rendimento físico, não nos cabendo nesse momento discutir a eficiência das mesmas, e sim  a usuabilidade destas.  

Pode-se considerar que muitas dessas práticas se processavam de forma inconsciente, como na pré-história, onde o homem objetivava apenas e tão somente a sua sobrevivência cotidiana em relação aos animais predadores, bem como os de sua própria espécie, através de um excepcional condicionamento físico adquirido no cotidiano. Posteriormente com a evolução do homem, principalmente na Grécia e Roma antiga,  estas práticas apesar de muito diferirem das linhas gerais seguidas no treinamento desportivo atual, passaram a obedecer a um senso lógico, buscando além da estética corpórea (a beleza corporal era considerada um  elemento significativo  para elevar o cidadão comum, a uma condição social mais elevada), também a preparação para as guerras, bem como para outras competições desportivas menos importantes que as Jogos Olímpicos, como os Jogos Augustos e os Jogos Capitolinos.

Com objetivo de iniciar uma nova discussão sobre o assunto, sugerimos atualmente para a evolução do treinamento desportivo na história, a seguinte ordem cronológica:  
1º- Período do Empirismo – Duração:
- dos métodos arcaicos de preparação física das antigas civilizações;
- até o surgimento do Renascimento (século XV).
2º- Período da Improvisação – Duração:
- do surgimento do  Renascimento (século XV)
- até as I Olimpíadas da Era Moderna (1896 - Atenas)
3º- Período da Sistematização – Duração:
- das I Olimpíadas da Era Moderna (1896 - Atenas)
- até das XI Olimpíadas (1936 - Berlim)
4º- Período Pré-Científico – Duração:
- das XI Olimpíadas (1936 - Berlim)
- até as XIV Olimpíadas (1948 - Londres)
5º- Período Científico – Duração:
- das XIV Olimpíadas (1948 - Londres)
- até as XXI Olimpíadas (1972 - Munique)
6º- Período Tecnológico – Duração:
- Das XX Olimpíadas (1972 - Munique)
- Até as XXV Olimpíadas (1992 - Barcelona)
7º- Período do Mercantilismo Desportivo – Duração:
- A partir das XXV Olimpíadas (1992 - Barcelona)

1.1 – O Período do Empirismo e suas referências:
Muitos dos diferentes processos que implicam na complicada estrutura esportiva atual, tem sua origem na mais remota civilização. Desde o começo da aventura do homem sobre a terra, foi transmitida de geração em geração uma série de práticas utilitárias, que observadas e imitadas, possibilitaram-lhe  vivendo em um meio hostil, apurar melhor seus sentidos. Iniciando pela pré-história, período onde o  homem primitivo tinha sua vida cotidiana, assinalada por duas grandes preocupações: atacar e defender-se, passando pela antigüidade, na qual os povos do Oriente, Ocidente e Novo Mundo, apresentavam um notável interesse em cuidar do “adestramento”, alimentação, regime de vida e performance dos indivíduos, até atingir o rigor tecnológico e científico de nossos dias.
Percebe-se que o exercício físico, através dos jogos, da ginástica, do desporto, da dança, do excursionismo, das massagens e saunas, já naquela época era orientado para os aspectos profiláticos, estabilizadores e terapêuticos tendo por objetivo geral cooperar no desenvolvimento integral do indivíduo.
Observa-se na antigüidade, a enorme contribuição dos povos gregos e  romanos para o desenvolvimento deste período. Na Grécia antiga, além de se pregar o culto ao corpo, era significativo o número de jogos existentes, tendo como principal evento desportivo os Jogos Olímpicos.
Para TUBINO (1985), pode-se dizer que a preparação dos atletas helênicos em muito se assemelhava ao treinamento empregado em nossos dias, com uma preparação bastante eclética (corridas, marchas, lutas, saltos etc.), usavam sobrecargas para melhoria do rendimento, tinham um prepara psicológico apoiado no sofrimento, utilizavam o aquecimento no início e a volta à calma acrescida de massagens ao final da sessão de treino, e já possuíam a exemplo das concepções científicas modernas, os chamados ciclos de treinamento, denominados na época de “tetras”, e ainda estabeleciam dietas especiais nos períodos de treino e competições.
Por outro lado, os romanos na época “senhores do mundo”, atuando como conquistadores, desviaram totalmente os objetivos propostos através do esporte pelos gregos. Aproveitando os conhecimentos esportivos dos mesmos passaram a treinar seus soldados a fim de torná-los imbatíveis em combate, e foi ainda sob a égide dos romanos que passou-se a profissionalizar o esporte de forma degradante.
 Como nos relata HEGEDUS (1969), possivelmente inspirados no modelo já existente na Grécia, o povo romano criou os Jogos Augustos e os Jogos Capitolinos, onde o suborno e a violação se tornaram fatos comuns, transformando os jogos olímpicos em verdadeiras feiras esportivas, onde se apresentavam espetáculos com características muito diferentes das de sua época de esplendor.  
A era romana começou a ser superada, dando início a época cristã, atingindo um novo ápice cultural, quando então as atividades físicas assumiram um outro direcionamento.
A partir do século XV, caracterizou-se a transição da mentalidade medieval para a moderna, através do movimento renascentista originado na Europa, com amplo alcance intelectual atingindo os setores das artes, ciências e filosofia, e suas implicações na construção de uma nova sociedade mais racional, baseada no  progresso das ciências e na difusão educacional dos conhecimentos entre os homens.
Para COTRIM (1987), com o advento do Renascimento surgiram os humanistas os quais encarregaram-se de transmitir a seus contemporâneos a necessidade de desenvolver amplamente a capacidade do homem, como também a interpretação da vida de uma maneira mais completa. Conseguiram ampliar, a exemplo dos antigos gregos, horizontes verdadeiramente amplos conduzindo os propósitos dos indivíduos como realmente era necessário: com amplitude e profundidade, compreendendo de forma bastante criteriosa as mais importantes tendências da personalidade humana em todos os aspectos.
Dessa forma postulamos que este período se iniciou com os métodos arcaicos de preparação física das antigas civilizações, que não passavam de práticas empíricas, tenso se finalizado com o surgimento do Renascimento, onde a busca pelo conhecimento passou a ser uma constante. O que postulamos, tenha influenciado também em importantes modificações na educação física e nos desportos.


1.2 – O Período da Improvisação e suas referências:
A característica principal deste período foi a falta de qualidade nos treinamentos, justificando-se tal fato, em função dos conhecimentos sobre biologia humana serem na época, sumamente insipientes.
É Importante mencionar que a partir do renascimento, os humanistas inspirados pelos estudos biológicos de Hipócrates e Galeno, passaram a reconhecer o movimento, como uma das maiores possibilidades para satisfazer as necessidades intrínsecas do ser vivente, principalmente a partir do momento, que a máquina começou a ocupar um lugar de destaque no cotidiano do homem. Reconheceram portanto que esta possibilidade de movimento, necessitava ser aplicada de forma urgente e devidamente metodizada, para enfrentar o futuro incerto que prometia a quietude do conforto.
HEGEDUS (1969), sugere que a valorização prática dos valores humanísticos destacou-se de maneira diferente: os países europeus, evidentemente pelo fato de apresentarem  aspectos culturais diferentes, direcionaram-se de forma diferenciada às práticas esportivas em relação a outros países, originando na época, duas principais “tendências” metodológicas com relação a dinâmica do treinamento desportivo, as quais resumidamente relacionamos a seguir.
1.2.1- Tendência inglesa de treinamento desportivo
A Inglaterra foi o primeiro país a sentir a necessidade de orientar as massas para aspectos quase inexistentes até então, do treinamento nos desportos competitivos. De todas as atividades esportivas recomendadas pêlos ingleses, era notável a preferência dos mesmos às corridas atléticas, em especial as de longa duração, as quais além de serem utilizadas como recreação passaram a integrar a preparação do exército britânico, sendo utilizadas também para disputas entre entregadores de correspondência que percorriam grandes distâncias no seu trabalho. A esses entregadores deram a denominação de corredores profissionais, nos quais eram confiadas vultosas apostas em dinheiro.
Mais tarde, começaram a se interessar também pelas distâncias mais curtas, criando a corrida da milha para incentivar as provas mais rápidas.
Neste período, alguns pesquisadores através de obras próprias orientaram o treinamento além das questões desportivas, enfatizando os aspectos profiláticos da atividade física orientada, sendo importante salientar a influência do médico Thomas Elyot (1490 - 1546), que através do livro “The Governous” o qual foi dedicado ao rei Henrique VIII, catalogou exercícios físicos de diversas espécies todos direcionados a promoção da saúde.
 Nesse sentido, também merece destaque  a obra do pedagogo Roger Asham  (1516 - 1569), “The School Master”, que propunha  para as crianças a partir dos 14 anos de idade, o fortalecimento através de exercícios de corrida, saltos, natação, boxe, esgrima, etc.

1.2.2- Tendência norte-americana de treinamento desportivo
Por volta de 1850, os treinadores norte-americanos influenciados pelas formas de trabalho utilizadas pelos ingleses, começaram a “experimentar” diversas combinações entre os métodos existentes. Treinadores da época como Dean Cronwell, Lawson Robertson e Mike Murphy se destacaram no panorama competitivo, quando propuseram dividir a distancia total da corrida em frações, as quais eram percorridas em velocidades próximas a máxima, e entremeadas com um intervalo para recuperação orgânica, orientando assim o treinamento mais para a capacidade velocidade, estabelecendo uma corrente contrária a tendência inglêsa de treinamento. Surgia assim, os primeiros conceitos do treinamento com princípios nos intervalos e as pausas entre as repetições de cada corrida, que chamamos hoje de “treinamento fracionado”. Assim , os norte-americanos enriqueceram o método inglês, criando o seu próprio método que constava da marcha / treinamento de duração / treinamento de tempo, passando com isso a melhorar os recordes da época, o que levou os europeus a se ajustarem a esse novo tipo de trabalho (FERNANDES, 1981).
Com intuito de demonstrar a superioridade, os norte-americanos começaram a realizar confrontos com os ingleses. Foi criada uma corrida de três dias, vencida pelo atleta inglês Crossland, que percorreu um total de 471 km, lançaram a corrida da hora, para se saber quantos metros se conseguia correr em 60 minutos.
Começaram também a incursionar sobre as distâncias mais curtas (100, 440 jardas e meia e uma milha). Em 1879, Lon Myers correu 440 jardas em 49”1 e em 1895 contra os ingleses, Hilpatrick correu meia milha em 1’53”2.
Como sugere TUBINO (1985), observa-se já neste período, que as novas concepções de treinamento sempre surgiram no atletismo, estendo-se depois, para os demais desportos individuais, para muito mais tarde chegar aos desportos coletivos.
Dessa forma postulamos que este período se iniciou com o surgimento do  Renascimento e durou até as I Olimpíadas da Era Moderna (1896 - Atenas).

1.3- O  Período da Sistematização e  suas referências
Neste período, evidencia-se a necessidade de planejar previamente o ordenamento e controle as cargas de trabalho a serem ministradas durante o treinamento, estabelecendo-se pontos básicos e caminhos a seguir em direção a uma meta previamente estabelecida.
 Este processo foi facilitado, uma vez que apesar das dificuldades de comunicação na época, o continente europeu adaptou seus métodos de treinamento de acordo com as “inovações” norte-americanas, emergindo neste período outras tendências de treinamento desportivo.

1.3.1- Tendência finlandesa de treinamento desportivo
HEGEDUS (1969), postula que o primeiro país a tomar a iniciativa neste aspecto foi a Finlândia, destacando-se o treinador Lauri Pihkala que por volta de 1912 desenvolveu o sistema finlandês de treinamento. Suas idéias se voltaram para o treinamento multilateral, aplicando o conceito ondulatório, que é o aumento da intensidade do trabalho, partindo do trote lento até a velocidade máxima. Seus alunos faziam 4-5 vezes 100 a 200 metros com esforços intensos e pausas de 10-20 min; por esse motivo, muitos dizem que foi Pihkala o criador do interval-training. O seu método apresentava as seguintes características:
a) Inclusão de treinamento de velocidade para meio-fundistas e fundistas;   
b) Alternar corridas curtas e intensas com intervalos longos para recuperação orgânica;   
c)  Incrementar significativamente tanto a quantidade como também a qualidade dos treinamentos.

1.3.2 – Tendência alemã de treinamento desportivo
Por volta de 1920, na Alemanha os estudos de Krummel, estudioso seguidor da tendência norte-americana, em seus trabalhos constatava: 
a)  Existir diferenças entre resistência e endurance;
b) Ser vantajoso utilizar intervalos entre estímulos;
c) Ser possível adquirir resistência e endurance através da aplicação de pequenas distâncias no treinamento.
1.3.3 – Tendência sueca de treinamento desportivo
A partir de 1930 na Suécia, começou a ser criado o método dos finlandeses, com várias correntes de trabalho surgindo tendo o mesmo denominador comum, que era a adaptação aos meios que a natureza oferece, a fim de desenvolver as reservas naturais do homem por meio de esforços prolongados.
Com essa intenção, precisamente na cidade sueca de Bosöm, O treinador Gosse Holmer desenvolveu o “Fartlek”, partindo do princípio de que os atletas deveriam evitar em seus treinamentos, o contato direto com os locais de competição como as pistas, utilizando os bosques, campos, etc., que seriam os locais mais favoráveis para o desenvolvimento das capacidades funcionais como a velocidade e a resistência.
O método constava em sua  forma original de:
a) Esforços realizados em plena natureza, portanto longe da pista de corridas com 1 ou 2 horas de duração;
b) Existência de uma combinação de todos os tipos de distâncias durante o seu transcorrer, com uma variação de 50 até 3.000 metros;
c) Intensidade dos esforços de acordo com a distância das corridas;
d) A pausa entre os esforços de acordo e em relação com as características das corridas, realizadas de tal maneira que o intervalo de recuperação fosse realizado em forma de marcha ou trote.
Este método de treinamento após passar para várias modificações ao longo dos anos, ainda hoje é largamente utilizado em todas as modalidades desportivas.
Ainda em 1930 também na Suécia, na cidade de Valadalen Gosta Olander avultava o cenário esportivo da época, criando um método  que recebeu o nome de Treinamento de Valadalen, o qual era caracterizado por: 
a) Alternar treinamentos “duros” e “suaves” para obter o efeito restaurador no organismo;
b) Utilizar terrenos com alto grau de dificuldade (pântanos e morros);
c) Alegria e correção técnica durante a execução dos trabalhos.
A escolha do tipo de trabalho que deveriam executar, provocou uma divisão entre os atletas de acordo com suas preferências por um desses dois treinadores suecos. Holmer primava pelo trabalho relativamente prolongado com variação de esforço, ao passo que Holander fazia um trabalho mais curto onde observava algumas sessões com grande intensidade, uma vez que ele dava preferência ao princípio da intensidade em relação à quantidade.
Mesmo com essa divisão de preferência, o progresso no rendimento dos atletas foi muito satisfatório e a contribuição desses treinadores é notada na atualidade, cuja tendência se volta para uma mescla dos dois tipos de treinamento preconizados na Suécia.
Postulamos que este período se iniciou com a primeira olimpíada da era moderna (1896 – Atenas), durando até as XI olimpíadas (1936 – Berlim), quando  Adolf Hitler promoveu a primeira grande manifestação ideológico-político dos jogos olímpicos, construindo toda uma estrutura que permitisse  tentando mostrar ao mundo a pseudo supremacia dos alemães arianos sobre os outros povos e raças.

1.4 – O Período Pré-científico e suas referências
Acreditamos que este período iniciou-se um pouco antes da II Guerra Mundial, durando alguns anos após o final da mesma. Caracterizam esta época, o surgimento das primeiras tentativas de experimentos científicos relacionados a preparação física, tendo como fundamentação, as observações empíricas até então vigentes. Estes ensaios foram sensivelmente prejudicados pela escassez de recursos financeiros, uma vez que o mundo voltava suas atenções para o advento da guerra, estabelecendo-se nesta época uma profunda recessão econômica, o que não impediu o surgimento de novas tendências de trabalho com relação ao treinamento desportivo.

1.4.1 – Tendência alemã de treinamento desportivo
Apesar da escassez de recursos financeiros, vários cientistas continuaram  contribuindo para que a evolução do treinamento desportivo não fosse estagnada, desenvolvendo outros métodos de trabalho. Destaca-se o treinamento proposto pelo fisiologista alemão Woldemar Gerschller em 1936 na cidade de Friburgo, cujas características principais eram:
a) Volta dos treinos às pistas;
b) Incluir corridas curtas e longas alternadamente;
c) Sessões mais curtas de trabalhos;
d) Incluir treinos específicos de velocidade;
e) Controle do tempo nos percursos.
Com esta proposta metodológica, Woldemar Gerschller foi o primeiro cientista a enfocar o princípio da especificidade do treinamento, realizando as sessões de treino dos corredores em épocas próximas as competições importantes, na pista de atletismo. Com isto, obtinha um elevado nível de adaptabilidade funcional às exigências específicas da performance.
Outro estudioso a destacar-se ainda neste período, é o alemão Toni Nett, que aborda em seus estudos  datados de 1940, questões relacionadas ao que hoje consideramos aspectos fundamentais dentro de uma estrutura técnico-organizacional de treinamento desportivo os quais resumidamente citamos a seguir:
a) Ordenação de todos os sistemas de trabalho, classificando-os de acordo com seus objetivos;
b) Proposição de tabelas de treinamento;
c) Organização de toda uma temporada de treinamento.
Muito embora as primeiras concepções organizacionais de treinamento desportivo não sejam originárias deste período, uma vez que na antiga Grécia, o tempo total do treinamento físico era dividido em partes, aplicando-se 3 dias de cargas crescentes de trabalho, intercalados por um dia de repouso, ao que os gregos chamavam de “tetras”, pode-se sugerir que Toni Nett foi o precursor da periodização, pelo fato do mesmo compor uma perfeita organização do tempo disponível para treinamento, estabelecendo objetivos a serem alcançados a curto, médio e longo prazo, obtendo uma eficiência no treinamento inimaginável nos períodos anteriores.

1.4.2 – Tendência checa de treinamento desportivo
Constata-se a contribuição do corredor tcheco Emil Zatopeck, o qual por volta de 1945, a partir dos conhecidos trabalhos de Toni Nett, modificou paulatinamente sua forma de treinar, começando a utilizar intervalos de recuperação entre as corridas. Posteriormente promoveu algumas mudanças na proposta original preconizada, até desenvolver seu próprio método que constava de:
a) Uma diminuição nas distâncias empregadas anteriormente;
b) Uso somente das distâncias: 200 e 400 metros;
c) Utilização de até 70 repetições das distâncias;
d) Utilização de 60 segundos de intervalo entre as repetições.
Surgia assim o treinamento de intervalos, com o qual Zatopeck, surprenderia o mundo desportivo da época com resultados considerados fantásticos, apesar de hoje tornarem-se absoletos a ponto de serem conseguidos com facilidade por vários atletas.

1.4.3 – Tendência húngara de treinamento desportivo
Verifica-se também no ano de 1948 ano a utilização de esforços físicos intervalados fora da Alemanha e tchecoslováquia, pelo médico e treinador húngaro Mihaly Igloi, o qual ganhou notoriedade por considerar o fato dos atletas possuírem diferentes condições hereditárias, os planos de treinamento deveriam ser individualizados. Hoje sabe-se ser esta a pedra angular, sobre a qual deve ser edificado todo o processo de treino, porém pela primeira vez observa-se na história a preocupação com a individualidade biológica. O seu método de treinamento se baseava em:
a) Uma grande dose de trabalho diário (20 a 40 quilômetros);
b) Cargas de treino estritamente individualizadas.
Consideramos que este período tenha durado das XI Olimpíadas (1936 - Berlim), até as XIV Olimpíadas (1948 – Londres).

1.5 – O  Período científico e suas referências:
Este período apesar de iniciar-se ainda sobre os resquícios pouco fundamentados do período anterior evoluiu rapidamente, com o mundo desportivo sendo estimulado por uma multiplicação impressionante de laboratórios de investigações científicas do esforço físico, e se constituindo de três grandes tendências desportivas.

1.5.1 – Tendência australiana de treinamento desportivo
No início da década de 50, a Austrália inicia uma época inovadora no treinamento desportivo, através da proposta de Percy Cerutty, que em 1952 foi a Helsinque, a fim de assistir aos Jogos Olímpicos, quando aproveitou a oportunidade para visitar Gosta Holander e aprender seu sistema de treinamento. De volta à Austrália, procurou adequar a metodologia de Holander às possibilidades naturais de seu país. Para isso escolheu um local da costa oceânica entre Melbourne e Portsea, com um extensão de 80 a 100 quilômetros, que passou a ser o centro de treinamento do qual participaram corredores australianos e de outros países.
Cerutty foi partidário de um trabalho muito intenso e até esgotador. Seus mais destacados atletas percorriam até 150 quilômetros semanais no período de preparação geral e 100 quilômetros no período de competições. Utilizava as dunas de areia, buscando a aquisição da resistência muscular localizada, para a qual os americanos e alemães recorriam ao treinamento de tempo (time-training) realizado na pista de corridas.
O argumento utilizado por Cerutty era de que, nas dunas o atleta necessita desenvolver maior esforço na unidade de tempo, superior às solicitações de uma competição. O corredor desenvolveria dessa maneira, uma condição física muito especial, perante o sofrimento provocado por semelhantes esforços.
Indubitavelmente, seu método se ajusta perfeitamente a um dos princípios do atual treinamento de duração, cujos esforços prolongados são realizados sob um ritmo e intensidade especiais.
Resumindo, Cerutty não era favorável ao treinamento de intervalos porque julgava ser um sistema oriundo de laboratório, cujos resultados nem sempre estavam de acordo com a prática. Achava que para se adquirir a resistência geral e a específica, era necessário executar trabalhos prolongados e extensos e nunca esforços rápidos e breves (HEGEDUS, 1969; FERNANDES, 1981).

1.5.2 – Tendência neozelandesa de treinamento desportivo
Contemporaneamente na Nova Zelândia, Arthur Lydiard procurou extrair os pontos fortes do treinamento de intervalos e do treinamento de duração, fazendo uma mescla dos dois sistemas. Assim, de acordo com a temporada de competições do seu país, dividia o ano em várias etapas de treinamento, nas quais se buscava um distinto objetivo:

1 – Etapa Pós-competitiva
No final da temporada de competições dava-se início a esta etapa do treinamento. Nela, os corredores treinavam 6 vezes por semana, correndo em estradas e bosques, realizando um trote de 1 hora de duração, no qual gastavam uma média de 7 minutos por milha, durante 2 ou 4 semanas.

2 – Etapa de competições nacionais de cross-country
Nesta etapa era exigido do corredor um trabalho feito nas mais diversas condições de terreno (areia, lama, pedras, etc.), bem como nas mais diversas condições climáticas.
Na primeira metade da semana eram feitos apenas trotes, para em seguida ser intensificado o trabalho, incluindo uma grande variação de esforços, que iam desde as 50 jardas até a milha, chegando às grandes quilometragens feitas aos domingos. Isto era feito durante 12 semanas, quando começavam as competições de cross-country;

3 – Etapa de Treinamento da Maratona
Quando terminavam as competições de cross-country, era iniciado o treinamento visando às altas quilometragens, atingindo uma média de 100 milhas semanais. O ritmo desenvolvido nas corridas era ajustado à capacidade de cada um dos corredores e maior número de quilometragem era percorrido aos sábados num ritmo mais baixo que os dias anteriores, cerca de 7min/milha.
O total em quilômetros a serem percorridos durante a semana era distribuído  de forma a alternar um dia com carga menor que o outro, cuja intensidade do trabalho variava conforme o terreno a ser utilizado para a corrida.

4 – Etapa de treinamento em terrenos variados
Totalizando 6 semanas, esta etapa dava continuidade ao período anterior, onde o local utilizado se constituía em um terreno bastante acidentado com longos aclives, intercalando com partes planas e também descidas, para exigir uma grande variedade de ritmos para a corrida. O percurso possuía uma distância de 3.200 metros e o total percorrido em cada dia atingia uma média de 20 quilômetros. No final da semana, era feito um treinamento de maratona de 2 a 2,5 horas de duração.

5 – Etapa de treinamento em estradas
Nesta etapa já se iniciava a preparação para as competições em pistas. Os corredores percorriam 13 quilômetros por dia durante 4 semanas, fazendo uma mescla do treinamento de duração com corridas de tempo e séries de sprints, portanto, um trabalho bastantes semelhante ao fartlek.

6 – Etapa de treinamento em pista
 Após todo a etapa de preparação que antecedia as competições, iniciava-se o treinamento de pista, com uma duração de 12 semanas, período que eram realizadas as competições.
 Lydiard não utilizava o treinamento de intervalos porque considerava as pausas muito lentas, o que acreditava não levar a resultados. Preferia uma mescla da velocidade pura, velocidade prolongada e longas distâncias. Assim, seus corredores de meio-fundo faziam tanto velocidade prolongada quanto devia fazer um meio-fundista e o mesmo número de quilômetros que fazia um corredor de fundo.

1.5.3- Tendência alemã de treinamento desportivo
Por volta de 1952, estabeleceu-se uma corrente totalmente contrária aos métodos continuados adotados pelas tendências australiana e neozelandesa de treinamento desportivo. Assombrados pelos fantásticos resultados alcançados por Zatopeck com  o treinamento intervalado, Gerschller, em conjunto com Herbert Heindel e seus colaboradores Helmut Roskamm e Joseph Keul, realizaram várias investigações clinico-médicas, observando as alterações fisiológicas ocorrentes nos atletas quando submetidos a diferentes variações desta forma de treinamento
Assim, Gerschller, que já havia sistematizado o treinamento de intervalos, voltou a modificar esse método de treinamento. Encurtou a distância dos esforços, controlou rigidamente as pausas, a frequência cardíaca, a intensidade das corridas, bem como o número de repetições das mesmas. Fez com que o atleta caminhasse ou deitasse de costas durante as pausas e eliminou o trote de recuperação utilizado por Zatopek.
Em resumo, Gerschller passou a utilizar as distâncias de 100-200 metros, com 100 repetições e pausas de 45-60 segundos onde o atleta deitava ou caminhava; enquanto Zatopek realizava corridas de 200-400 metros, em 70 repetições com pausas de 60 segundos em forma de trote. Portanto, houve um encurtamento das distâncias com aumento do número de repetições e diminuição das pausas para descanso.
Dessa forma, os estudos constataram que o mais importante no treinamento de intervalos é o fato de haver um maior proveito ou benefício do treinamento, produzido durante as pausas e não durante os esforços. Por esse motivo, essas fases intermediárias entre cada esforço (corrida) foram denominadas de “pausas ativas ou proveitosas”, o que levou o método a ser chamado de treinamento de intervalos ou interval-training. A partir desse embasamento fisiológico o método passou a ter significado científico. 
Evidencia-se neste período, que além do surgimento de vários métodos de treinamento físico cientificamente comprovados em laboratórios de fisiologia do exercício como: cross-country, marathon-training, power-training, cross-promenade, aerobics, hipoxing-training entre outros, que diversas outras  concepções sistêmicas  sobre treinamento físico de rendimento foram enunciadas em diferentes partes do mundo. Neste aspecto destaca-se o belga Raul Mollet em 1963, que foi o primeiro a considerar o processo de treinamento desportivo dentro de uma globalidade, enunciando-o como:
“Uma filosofia de apreciação de atividade  desportiva, em função de todas as suas componentes que, através de uma  programação racional, procura desenvolver as técnicas, as táticas e as qualidades físicas, apoiando-as na alimentação apropriada, numa atitude psicológica favorável, nos regramentos dos hábitos de vida, na adaptação social adequada e no planejamento das horas de lazer”.
Passou-se então, a considerar, o atleta como um ser social inteligente, interagindo não só com outras partes envolvidas no processo de treinamento, mas também com o meio ambiente, instituindo-se assim o “Treinamento Total”:
 Postulamos que este período começou com as XIV Olimpíadas (1948 - Londres), finalizando-se com as XXI Olimpíadas (1972 - Munique), onde registra-se pela primeira vez a utilização de computadores nas provas de atletismo e natação das e os estudos biomecânicos das referidas modalidades com o corredor Pietro Menéa e o nadador Mark Spitz, dois fenômenos desportivos da época.

1.6 – O Período Tecnológico e suas referências
Após o período científico os resultados desportivos já em evidente crescimento, foram vertiginosamente ascendentes. Isto se deve não somente ao surgimento de uma metodologia de treinamento com  bases científicas, como também a uma  constante evolução da tecnologia na fabricação dos equipamentos e confecção da indumentária usada pelos atletas de alto nível (TUBINO, 1985; DANTAS 1996).
As novas concepções aliaram-se ao crescente interesse político pelo grandes resultados desportivos, que vinham sendo evidenciados como supremacia das nações e até mesmo ideologias pelos países socialistas, desde os XI Jogos Olímpicos (Berlim – 1936), fazendo do esporte de alto rendimento um eficaz meio de propaganda de seu sistema político. Os países ocidentais aceitaram prontamente o desafio, de tal forma que atualmente em defesa de suas ideologias políticas, as nações investem  orçamentos milionários na preparação de seus atletas, o que fica evidenciado quando observamos as competições internacionais.
Não obstante a tudo isso, constata-se que o uso da informática passou a ser fundamental no diagnóstico morfo-funcional e psicológico dos indivíduos, na planificação do treinamento, na prescrição dos exercícios sobre as linhas guias de volume e intensidade, bem como na correção de gestos técnicos e análise tática das situações de competição. Tais fatores podem ser considerados determinantes, em se tratando da moderna ciência da preparação física.
A partir daí os meios esportivos passaram de acordo com suas tradições, a utilizar as mais variadas formas de pesquisas que pudessem trazer algum benefício em prol do desporto de competição. Iniciou-se assim uma nova etapa dentro do processo de evolução do treinamento, com o aparecimento de diferentes filosofias orientando de formas diferenciadas as direções quando da preparação dos atletas.

1.6.1 – Tendência saxônica de treinamento desportivo
Tinha como líder os Estados Unidos, seguido pelo Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, onde a universidade se constituia na principal fonte de pesquisas dentro da mais sofisticada condição tecnológica, oferecendo total apoio aos seus atletas, os quais recebiam em troca os estudos na própria universidade, além da orientação dos melhores técnicos desportivos do país, bem como utilizavam uma tecnologia e material desportivo de alto-nível. (FERNANDES, 1981;TUBINO, 1985).

1.6.2 – Tendência socialista de treinamento desportivo
Liderada pela União soviética, abrangia todos os demais países do bloco socialista, onde o Estado tinha a completa responsabilidade sobre a educação física e o desenvolvimento desportivo, encaminhando desde muito cedo a criança para a atividade desportiva em que a mesma pudesse ter maiores possibilidades de sucesso no futuro.
Esses países possuíam a exemplo da tendência capitalista, importantes centros de investigação científica dirigidos para a ciência dos desportos além da orientação dos melhores técnicos desportivos do país, bem como utilizavam uma tecnologia e material desportivo de alto-nível. (FERNANDES, 1981;TUBINO, 1985).

1.6.3 – Tendência européia-ocidental de treinamento desportivo
Comandada pela antiga Alemanha Ocidental, tinha nos países europeus não-socialistas os seus principais componentes. Esta tendência tinha o intercâmbio técnico-científico facilitado pela situação geográfica dos países europeus, com o Brasil muito se beneficiando  mediante estágios realizados em seus principais centros de treinamento e pesquisas científicas, como Colônia e Mainz e outros situados nos demais países partidários de sua doutrina (FERNANDES, 1981;TUBINO, 1985).

1.6.1 – Tendência asiática de treinamento desportivo
Dentre os países que faziam parte esta escola destacavam-se principalmente o Japão, as Coréias e ainda a China. Nesses países, além do estrito planejamento educacional, o desporto já recebia uma grande ajuda das numerosas indústrias lá existentes, com as fábricas se formando equipes desportivas. A característica mais marcante dessa tendência, é que naquela época já evidenciava-se aspectos capitalistas, e a cultura era usada como meio de motivação (TUBINO 1985). Os principais centros de investigação científica localizavam-se nas universidades, principalmente em Tóquio (FERNANDES, 1981;TUBINO, 1985).

1.7 – O Período do mercantilismo esportivo e suas referências
O esporte se tornou sem dúvida um dos mais eficientes produtos para divulgação do nome e marca de seus anunciantes e patrocinadores, porque lhes permite aproximarem-se dos seus clientes e do mercado. O sucesso que o esporte transmite aos seus participantes é inconscientemente atribuído às empresas que o promovem e, o que é mais importante, aos seus produtos (NETO,1986).
Dessa forma atualmente não existem mais relutâncias: é notório o surgimento do desporto-espetáculo, e investir no esporte se consolidou  um excelente negócio com grandes retornos publicitários em termos de divulgação, melhoria de imagem, lucros financeiros e vantagens fiscais.
É dentro desse enfoque que as empresas passaram a se interessar pela promoção institucional do esporte, consolidando na atualidade a existência de apenas duas grandes orientações de treinamento desportivo, independente das condições sócio econômicas, opções políticas, tradições ou mesmo posições geográficas, as quais a seguir descrevemos resumidamente.

1.7.1 – Tendência capitalista de treinamento desportivo
Tem como componentes os países capitalistas do globo, independente de sua situação geo-política, com os clubes e associações, quase sempre subsidiadas pelas empresas oferecendo total apoio aos atletas, que recebem em troca além de salários considerados, outras vantagens financeiras.
A característica mais marcante dessa tendência, é que as competições de alto nível tornaram-se verdadeiros shows, independente do nível profissional ou pseudo-amador das mesmas, nas quais utilizando-se de estratégias promocionais as grandes empresas interessadas na divulgação de seus produtos, investem orçamentos milionários no financiamento da preparação de atletas ou equipes, (que são considerados verdadeiros astros)  bem como, promovem e administram eventos desportivos.
A universidade, a exemplo do período anterior, se constituí ainda na principal fonte de pesquisas.

1.7.2 – Tendência socialista de treinamento desportivo
Abrange todos os países do bloco socialista, onde o estado tem a completa responsabilidade sobre a educação física e o desenvolvimento desportivo. A base dessa tendência é o regime de governo que entrega ao estado a educação integral das crianças.
 Esses países possuem importantes centros de investigação científica dirigidos para a ciência dos desportos (FERNANDES, 1981;TUBINO, 1985).

2- CONCLUSÃO
Corroborando com TUBINO (1992), provavelmente o esporte como negócio tonar-se-á o novo paradigma deste final de século, e regerá todas as atividades desportivas, uma vez que em países mais avançados o esporte competição já foi incrementado desde algum tempo, através da mídia, merchandising, o marketing, o patrocínio e outros aspectos, modernizando as antigas concepções então vigentes, e proporcionando uma nova dimensão do esporte como negócio, sem necessariamente esquecer suas maiores riquezas: os seus valores, a sua moral e a sua ética.
Dessa forma o esporte competição ocupa espaços cada vez maiores na mídia em geral, o que evidentemente implicou paulatinamente em modificações técnicas, administrativas e organizacionais, na complexa estrutura de um treinamento desportivo de rendimento, se consubstanciando em algumas importantes modificações

3 – BIBLIOGRAFIA

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