O futebol e o mercado de ações

Clubes europeus apostam no mercado de capitais para captar recursos
Equipe Universidade do Futebol

Em geral, as empresas, ao buscarem recursos para a realização de investimentos em suas atividades, têm duas opções: captá-las via mercado financeiro ou via mercado de capitais. Em razão dos custos, e assim como a inexistência, no Brasil, de uma cultura especifica nesse sentido, o mercado financeiro acaba sendo o maior alocador de recursos para empresas de pequeno e médio porte.

A negociação de valores mobiliários no mercado de capitais torna-se, em determinadas ocasiões, uma alternativa atraente em face das decisões estratégicas formadas pela empresa, Ou seja, necessitando a mesma de recursos para expandir suas atividades, ao invés de contrair financiamentos com instituições financeiras, capta recursos mediante a colocação de valores mobiliários à negociação pública.

Em 2004, 38 clubes europeus negociavam suas ações em diferentes bolsas de valores. Claro que o modelo europeu de gestão do futebol é bem diferente do nosso, onde a maioria dos clubes, por imposição da legislação ou das condições de mercado, adota modelos societários empresariais, cotando com parceiros de alta envergadura econômica, como Bayer de Munich (Bayer), Milan (Berlusconi), Inter de Milão (Pirelli), dentre outros. Mas um dos grandes facilitadores desta operação é a credibilidade e a difusão do mercado de capitais no seio da sociedade.

Em 1983 o Tottenham Hotspur foi o primeiro clube do mundo a negociar ações em uma bolsa de valores, no caso a de Londres. Em seguida, diversos outros clubes britânicos seguiram o mesmo caminho, sendo que, até 2004, o Football Club Index (índice que acompanha as ações dos clubes europeus) possuía 19 equipes britânicas.

Obviamente que a adesão dos clubes ao mercado de capitais e a conseqüente resposta de investidores não é de graça. Segundo informações anuais da Deloitte & Touche sobre finanças no futebol, a receita gerada pelos clubes europeus durante a temporada 2001/2002 chegou a 7,1 bilhões de euros, contra 6,6 bilhões da temporada anterior. Deste total, a maior fatia (25%) era proveniente da Premier League.

Grandes instituições financeiras começcam a demonstrar interessem em serem acionistas de clubes de futebol, valendo citar o Bank of Scotland possui 5,65% do Hearts, o Commerzbank, através de uma sociedade de gestão de fundos de investimentos, é proprietária de 6,95% do Sunderland. Como estes dados são de maio de 2003, é bem possível que tenham mudado, uma vez que o futebol como investimento já é uma realidade, pelo menos na Europa.