Síndrome do Sobretreinamento

O sobretreinamento é uma síndrome caracterizada pela fadiga e baixa performance precipitada por fatores de estresses advindos do treinamento excessivo na ausência de recuperação adequada. Especificamente pode ser definido como um desequilíbrio entre treinamento, competição e recuperação. Outros fatores estressores (sociais, educacionais, ocupacionais, econômicos, nutricionais e excessivas viagens) podem contribuir para esta síndrome.
No treinamento pesado, sintomas transitórios, sinais e mudanças podem ser diagnosticados através de testes. Estes sintomas temporários constituem o chamado overreaching. O indivíduo neste estado se recupera, com o desaparecimento dos sinais em aproximadamente 2 semanas. Usualmente o overreaching é provocado como uma parte vital do treinamento, para a melhora da performance.
Uma boa preparação física consiste em maximizar a performance atlética, e minimizar o risco de lesão e fadiga, e conseqüentemente o risco do sobretreinamento. Uma sessão de treinamento, pode levar ao aumento na aptidão física e ou aumento na fadiga. A fadiga é diferente da exaustão, que é caracterizada, por uma inabilidade para performance em um nível determinado de demanda energética. Atribui-se o termo ao processo crônico, e a exaustão ao processo agudo. O sobretreinamento é caracterizado por uma fadiga crônica e persistente. A questão mais relevante para técnicos e atletas é como elaborar um programa de treinamento, que produza uma performance máxima visando uma determinada competição futura, com um mínimo de risco de aparecimento do sobretreinamento? Mas será que essa performance é alcançada através do estabelecimento de fadiga crônica? Quantas sessões de treinamento, e que é a combinação de intensidade, duração e freqüência são necessárias para melhorar a performance? Que critério devem ser utilizados para o aumento da sobrecarga de treinamento?. É óbvio que o treinamento experimentado dias antes de uma competição dependendo da intensidade e duração pode determinar um efeito negativo sobre a performance. O que pode acontecer é a indução do pico de performance antes da competição. O pico do rendimento é um preditor da performance, e a ocorrência do pico é um índice de estresse. Os determinantes críticos para que a performance seja máxima são: altas sobrecargas de treinamento, treinamento diário e rápido declínio no estado de fadiga.
Os princípios biológicos envolvidos no treinamento desportivo, estão ilustrados na figura 1.

O termo sobretreinamento é freqüentemente utilizado para descrever os atletas que sofrem de uma fadiga prolongada e crônica. Neste texto optou-se por esta terminologia, porque é a tradução que mais se aproxima do termo em inglês "over training". O tratamento requer repouso e um remanejamento do treinamento, por um período acima de 3 meses. Vários outros termos são encontrados na literatura, relacionados ao sobretreinamento, entre os quais: "burnout", "staleness", síndrome da fadiga crônica, "overwork", "overloadtraining", "overfadigue", "overstrain" e desajuste de adaptação. Em resumo, os autores definem o sobretreinamento como treinamento pesado sem recuperação adequada (patológico), e overreaching como treinamento pesado com recuperação adequada (normal).
Qualquer sessão de treinamento provoca um estado de fadiga. Este estado não deve ser confundido com o estado de sobretreinamento, que é um estado de fadiga crônica e generalizada. Os mecanismos da fadiga aguda, dependem da duração e intensidade do exercício. Entre os vários tipos de treinamento, o treinamento intervalado intensivo, que consiste em alguns minutos de exercício intenso repetido várias vezes com períodos curtos de recuperação, é o mais provável precipitador do sobretreinamento. Em termos de fadiga, um velocista pode fadigar em segundos em associação com elevados níveis de lactato, enquanto que um maratonista, pode chegar à fadiga próximo de 2 horas devido à depleção do glicogênio.
O sobretreinamento intencional pode ser planejado como parte do programa de treinamento para estimular uma adaptação ainda maior. Isto é seguido por um período de repouso ou uma diminuição da intensidade do treinamento, para promover uma supercompensação em um período de uma a duas semanas (KUIPERS., 1998).
Os atletas somente podem ser classificados como sobretreinados se eles estiverem com a performance baixa e com alta fadiga. Além disto, os atletas podem se queixar, durante o repouso, de fadiga, desmotivação, queda de energia e espírito de competição, desânimo e incompetência para as tarefas, desequilíbrio emocional e perda de libído. Estes sintomas são freqüentemente acompanhados de aumento de ansiedade e depressão (90%), irritabilidade (70%) e problemas de sono (90%), incluindo pesadelos e sono intermitente (MORGAN.,1987). Há também registros de perda de apetite e força, músculos extremamente doloridos e transpiração excessiva. Os atletas parecem estar mais susceptíveis a infecções e lesões.
O profissional da área da atividade física e/ou esporte deve ficar atento aos seus alunos, seja no parque ou nas academias, justificando assim seu trabalho, planejando de forma correta o treinamento para que estes indivíduos não sejam obrigados a parar com o treinamento temporariamente, de 2 semanas a 3 meses, e eventualmente até um ano. A importância de se estudar o sobretreinamento está em preservar a carreira, e principalmente a integridade físiológica dos atletas sejam eles de alto nível ou não. Numa próxima oportunidade falaremos mais deste assunto, que é muito complexo, porém muito interessante, para todos os técnicos, atletas e professores de educação física.